terça-feira, 22 de julho de 2014

TENIS E ÉTICA


 


Escreveu o professor  Fernando Fontoura

“Você faria negócios com alguém que no 4 a 4, 30 iguais do terceiro set daria fora uma bola na linha? Se associaria com quem duvidasse sempre quando diz que a bola foi fora e que constantemente vai ver a marca duvidando de sua honestidade? Você faz qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, para ganhar? Prefere jogar como gosta ou jogar para ganhar? Perder é algo aceitável no seu jogo ou uma coisa que você não admite? Tirar o outro do jogo com catimbas e coisas extra jogo faz parte de seu repertório de táticas ou você quer ganhar dentro do jogo?”.

Eu jogo tênis desde 17 anos de idade. Em todos esses anos muito aprendi.  Alguns amigos começaram a jogar depois que largaram o futebol, já maduros. E parte deles, uma minoria, transplantaram para o tênis alguns princípios perniciosos e nada éticos  vindos de usos e costumes do futebol. Desconheciam que o tênis tem seu  Code of Ethics .  


São várias as regras, mas todas se  assentam na boa educação e no fair play. Em resumo: o tenis requer  cooperação e cortesia, não sendo admitido destemperar-se, queixar-se da maneira de o oponente jogar, usar linguagem grosseira, atirar a raquete, lamuriar-se se está perdendo. Trapacear, ser desleal. Claro que essas regras, entre gente que teve pai e mãe, nem precisariam estar escritas. Mas nem todos tiveram educação em casa.

E a regra de ouro no tênis de lazer  é cada um marcar, no seu lado da quadra, se a bolinha foi boa ou se foi fora. E aí que você mostra sua origem e seu caráter. Na dúvida, você decide conta você mesmo.  E jamais duvide de seu adversário. Se o achar antiético, simplesmente não jogue mais com ele.

Esses dias eu aguardava por um parceiro e sentei-me ao lado da quadra. Passou um adolescente, filho de um conhecido, e começamos a conversar. Lá pelas tantas lhe disse: no tênis, na dúvida, a gente deve decidir contra si. Isso em jogos não oficiais e de mero lazer. Ao que o menino me disse:

- para aí, tio! Tu tá louco? Eu devo decidir contra mim?

Entristeci-me, pois o menino já tem inoculado o vírus da esperteza, do jeitinho , da falta de nobreza de caráter.

Fiquei matutando: e quem sabe a Fifa adota, para o futebol, o Code of Ethics do tênis? Quem sabe parariam um pouco as simulações, a má-fé, a falta de camaradagem, a indução do árbitro em erro, o costume de alguns em  não titubear em quebrar um osso do adversário.

E mais: e que tal ler esse Código nas Escolas?

 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

OS 40 ANOS DA OAB DE SANTIAGO RS

Nooossaaaa, como o tempo passa.
Eu era advogado em P. Alegre e fiz concurso para juiz. Passei, assumi em Horizontina, depois Arroio do Meio e depois Santiago. Lá cheguei em 1974.
Havia poucos advogados, mas todos, todos, brilhantes e sérios.
Santiago fazia parte da Subseção de Santa Maria .
Um dia falei ao dr. Nissio Castiel:
- vamos criar uma subseção de Santiago? ( o sangue de advogado corria, como corre até hoje, nas minhas veias, apesar de, à época, ser juiz).
Feito. Foi criada a subseção da OAB.
Que saudades de todos os fundadores. Não vou nominar nenhum, posso esquecer um e serei precipitado como Lúcifer, ao inferno.
Mas 40 anos se passaram e hoje temos uma OAB atuante nessa aprazível e adorada Santiago.
Fui convidado para a cerimônia dos 40 anos.Não poderei ir porque irei a uma missa rezada e cantada em alemão  no lugarzinho onde nasci em Santa Cruz, : Boa Vista.
Mas fica minha saudade do dr. Nissio, dr. Schmidt, dra. Clara, Danilo, Frederico, Max, Maria Inês,Valdir,Cocentino,Chechi, Oneron, Leitão,Edson Dornelles, Wilson, Aléssio, mais alguns que tenha esquecido, enfim, aqueles pioneiros éticos e estudiosos.

ROSANE DE OLIVEIRA ESTÁ DANDO UMA AULA DE RÁDIO

Acho que muitos de vocês sabem que eu durmo cedo, acompanhando as galinhas e os pássaros em geral. E o que me embala é o rádio .  Não raras vezes acordo no meio da madrugada. E a verdade é que a madrugada é pobre, paupérrima nas rádios. São fracos os programas, inclusive da Rádio Gaúcha, situação que só melhora quando entra o Macedo às 5 da manhã e o Mendelski 5,30  na Guaíba.
Mas eu queria dizer que ontem fui me deitar 21,30 e liguei o radinho no programa da Sara Bodowski. E não é que entra no ar a Rosane de Oliveira, escandindo bem as sílabas, falando pausadamente, de maneira direta e didática!  Que show de calma e singeleza. Ela foi rebatendo as críticas que alguns fizeram pela publicação das pesquisas pela RBS. Explicou sem ser  servil ou usando de puxa-saquismo.
E nas manhãs também a aprecio muito.
Sobre a RBS eu penso que ela pode ter seus defeitos. Um, no entanto, ela não tem: não vende espaços para as " pseudo igrejas" deixarem bramir seus " pastores" caça níqueis.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

AINDA PERCORRENDO LIVRARIAS





Hoje adquiri uma obra rara
Historia de los Orientales, de Carlos Machado
e
Tras la Estela del Graf Spee, de Enrique Dick.
Como vocês sabem, o navio de guerra alemão buscou abrigo no porto de Montevideo, durante a Segunda Guerra , mas foi ordenado que abandonasse o porto. Seu capitão, então, salvou os tripulantes e  colocou o navio a pique.Depois, enrolado na bandeira alemã - não com a suástica - se suicidou.
E, para não perdermos a rotina, fomos almoçar no belo mercado de Montevideo.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

NÃO SÓ PARRILLAS MAS TAMBÉM IMERSÃO CULTURAL


Agora mesmo, en la Ciudad Vieja, passei pelas obras de restauração ( que os portoalegreses dizem " restauro") do Cabildo de Montevideo. Ali há um letreiro - Montevideo, la capital cultural iberoamericana. Bom, vocês sabem como eu sou: detesto esses negócios de ufanismo.
Mas a parte antiga de Montevideo, mormente a calle Sarandi, e toda a Ciudadela, me  comovem. Assim como o Centro Histórico de P. Alegre, com seus sebos.
Mas aqui há sebos em toda a parte, inclusive em  casas particulares e na via pública.
Toda vez que vou a qualquer lugar no Exterior, procuro comprar  livros sobre a História do país.
Acabo de comprar um livro escolar sobre a História do Uruguay.Estou  devorando.
De outro lado, numa loja de instrumentos musicais, encontrei um belo violino usado, claro que o comprei.
Rudolf e eu amanhã vamos comprar um trompete, também conhecido como " piston". Ambos queremos aprender a o tocar para celebrar vitórias, mas sem incomodar vizinhos.
Voltarei carregado de livros, instrumentos musicais, partituras e, se sobrar um lugarzinho, quem sabe uma caixa de Don Pascual.

ENTRE PARILLAS, VINOS Y POSTRES




terça-feira, 15 de julho de 2014

ON THE ROAD

Navegar é preciso..
Viver não é preciso.
Viajar é preciso.
Nem que seja para não se meter em futricas arrabaleras.
É preciso viajar para , de bem alto, contemplar, qual águia,  como há vida fora do nosso quarto de dormir.
Volto oportunamente.

sábado, 12 de julho de 2014

NÃO ENTENDI

Tenho convicção que a Copa foi um sucesso absoluto no Brasil. Maravilha, tudo bem.
Isso foi nosso maior triunfo.
Outra coisa- perder é normal. Afinal, pensar que o Brasil é o rei do futebol é uma leviandade, pois todos os homens e mulheres do mundo são iguais. Ninguém ganha só por ser brasileiro. 
Mas quero que vocês me ajudem a entender:
* acharam certo o Neymar  desautorizar a segurança da Copa quando um pai boçal ajudou seu filho pequeno a invadir um treino? As leis não são para todos?


* acharam certo o Neymar, hoje, cochichar instruções ao capitão de nossa seleção, à revelia do Felipão?


* acharam elegante o Neymar interromper uma entrevista do Felipão, pós jogo, para o cumprimentar? 
Beijos a todos, e mandem mail para ruy@gessinger.com.br
Saio amanhã de vacaciones, Urlaub, férias. Claro que fora do país. É salutar nos vermos de longe e não só no espelho.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

AINDA A SELEÇÃO ALEMÃ E OS INDIOS - MAIL DO DR. GUIMARÃES OLIVEIRA

O jogador Klose dança com índios, no centro de treinamento da seleção alemã, em Santo André (BA)
O jogador Klose dança com índios, no centro de treinamento da seleção alemã, em Santo André (BA) - Markus Gilliar/Pool/Bongarts/Getty Images

Soube hoje que a Seleção alemã deixou um cheque à comunidade de Santa Maria Cabrália, onde estiveram hospedados neste mês de Copa, para a compra de uma ambulância para a comunidade local. Grande gesto!  Também ouvi dizer que o prédio onde permaneceram hospedados, o que a Seleção Alemã construiu na ilha local do balneário, será deixado para proveito dos cidadãos locais da ilha (não sei se procede, mas seria outro grande e nobre gesto). Também soube que a seleção alemã cultivou um grande e fraterno vínculo com os nativos que trabalharam no local e que também desenvolveram um bom relacionamento com um grupo de índios pataxós que vive em uma comunidade próxima. Estas também são coisas inesperadas do futebol.

LAIS LEGG DISCORDA DO MEU RECADO

Nossa querida psiquiatra, comunicadora, amiga Lais manda a mensagem abaixo, que já repassei ao Löw ( pronuncia-se LÊV) e ao Mascherano:





Amigo Ruy:

                  Se me permites, vou discordar de ti. Para mim, tanto faz a vitória da Alemanha ou da Argentina, pois são duas nações que admiro bastante e já estive em ambas.

 

A Argentina, tão próxima de nós, é um país lindíssimo, o qual visitamos muito. Eu adoro ir a Buenos Aires, passear por suas ruas, comer suas carnes deliciosas, ver seus prédios classudos, especialmente as portas, observar que os estudantes usam uniformes limpíssimos e usam boinas (não vi nenhum com bermudas oito vezes maior que o seu número, cós caído lá no púbis, cueca de fora e boné para trás), visitar as bibliotecas deslumbrantes e fazer algumas compras.

 

Deles vem o tango mais simbólico e mais representativo de tudo o que vivemos : “Cambalache”. Apesar de ter sido escrito na década de trinta, seu autor foi um visionário e descreveu, como ninguém, que o mundo “foi e será uma porcaria em 506 e em 2000 também”. Diz ele que, tal como numa vitrine dos antiquários (“Cambalaches”), observamos um objeto sem valor ao lado de uma relíquia e que dá no mesmo “ser um burro ou um grande professor”.

 

A animosidade entre Brasil e Argentina, “plantada” por torcedores de futebol, só me envergonha, pois sempre fui muito bem tratada por lá. Então, Alemanha e Argentina são duas nações que merecem meu respeito e admiração. Que vença a melhor.

 

Segue a letra completa de “Cambalache” abaixo.

 


 

Abraços,

Laís Legg


 

TRADUÇÃO DA MENSAGEM QUE MANDEI AOS JOGADORES ALEMÃES


Olá amigos!  não queremos de jeito nenhum que a Argentina ganhe a copa do mundo aqui na nossa terra, portanto esforcem-se e ganhem no domingo! Assim como vocês ganharam de nós. A propósito, mesmo que vocês nos tenham tirado do torneio com 7:1, vocês, logo após o jogo,  nos comoveram com suas atitudes de humildade e consideração para conosco e, por isso, recebem nossa estima.

Além disso, o Brasil inteiro pôde ver que cidadãos leais e primorosos vocês foram durante a sua permanência entre nós.

EINE MITTEILUNG AN DIE DEUTSCHE MANNSCHAFT


Hallo Freunde! Wir Brasilianer wollen auf keinen Fall, dass Argentinien die WM  hier in unserem Land gewinnt. Also, strengt Euch an und gewinnt am Sonntag! So wie Ihr gegen uns gewonnen habt. Übrigens, auch wenn Ihr uns mit einem 7:1 aus dem Turnier geworfen habt, habt Ihr durch Eure Bescheidenheit und Eure Rücksicht auf uns unsere Herzen gewonnen.
Außerdem konnte ganz Brasilien sehen, welch aufrichtige Bürger und vorzügliche Gäste ihr während Eures Aufenthaltes bei uns wart.
GRÜSSE - ruy gessinger

quinta-feira, 10 de julho de 2014

UM ANO DA INVASÃO DA CAMARA DE VEREADORES DE P. ALEGRE - por Monica Leal


 

 


Para não esquecer - um ano da invasão da Câmara


 

Completa-se hoje um ano da invasão da Câmara Municipal de Porto Alegre. Durante a sessão do dia 10 de julho de 2013, cerca de cem manifestantes ligados ao Bloco de Lutas pelo Transporte Público ocuparam as galerias e depois invadiram e acamparam no plenário Otávio Rocha exigindo o passe livre e a transparência nas contas das empresas de ônibus da Capital.

Foram oito dias de completo desrespeito àquela instituição pública num ato antidemocrático que restringiu o direito de ir e vir dos servidores da Casa, cerceou a liberdade de imprensa, permitiu uma série de comportamentos indevidos e resultou em danos ao patrimônio público. Eu diria que resultou em danos morais ainda maiores. À época, num artigo que escrevi a respeito, publicado no Jornal Zero Hora e intitulado “Um bem que se quebra”, refleti que o plenário usurpado nunca mais seria o mesmo depois daquele episódio orquestrado e sorrateiro.

Lá, alguns vereadores de partidos de oposição ao atual governo municipal apoiaram o ato. Naqueles dias, o poder da Câmara Municipal de Porto Alegre foi desautorizado. Também, ficou demonstrada a crise de autoridade de outros atores que se envolveram no processo, como a Brigada Militar, cuja presença foi solicitada e atendida, mas que, por determinação do seu alto comando, não prosseguiu no atendimento para a manutenção da ordem e da segurança. No lado jurídico, inicialmente uma ação de reintegração de posse determinou a saída dos invasores, que em seguida foi suspensa. Somente após audiência de conciliação ocorrida em 17 de julho, encerrou-se a baderna.

Em setembro de 2013, foi instalada a CPI da Invasão, concluída com o apontamento de 17 atos criminosos cometidos, de 19 entidades coniventes e de um prejuízo de dois milhões de reais pelo vandalismo e pelos dias de trabalho parado no parlamento. O relatório final pediu o indiciamento dos responsáveis por meio de ações da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado.

Plenário invadido, CPI realizada, invasão comprovada, fato lembrado, reflexão permanente.

 

Mônica Leal, jornalista e vereadora de Porto Alegre (PP).

 

 

Fotos no sentido horário: Elson Sempé Pedroso | Ramiro Furquim | Ramiro Furquim | Vicente Carcuchinski