quarta-feira, 23 de abril de 2014

Suicidal Tendencies

Assim como muitos jornalistas que se arvoram em economistas, padres, tribunos da plebe, também eu, dado o princípio da isonomia, me arvoro em  psicanalista.Com licença da minha querida Lais Legg.
E já vou dando o diagnóstico, considerando a anamnese que o cotidiano me subministra.
Tá todo mundo louco, oba!
Voltei 2a. feira da estância àS 5 DA MADRUGA.  Sofri mais de 10 ultrapassagens por pontes, viadutos, locais de faixa amarela contínua. Pensei: sou eu um chato ou o Brasil tá louco?
Ouço o rádio: todos ufanos pois  só 30 mortes no feriadão. Só?
Leio os  jornais: um homem matou a mulher com um tacape; outro, fez isso ou aquilo; uma mãe substituta mata um menino, outra fez aquilo.
Eu sei que a maioria dos meus  leitores já viajou para fora do Brasil.
Não conheci país mais perigoso que o nosso.
A maioria dos crimes resta insolúvel.
Voltando aos caras que me ultrapassaram no meio de pontes.
Eles querem se suicidar.Até aí , ótimo, um louco perigoso  a menos. O pequeno problema é que eles levam junto para seu inferno sua própria família e o Ruyzão aqui, que tem muito caminho pela frente.
Gente: nós estamos doentes. 
Mas, como se diz no Brasil, tudo bem...

terça-feira, 22 de abril de 2014

OS INSONDÁVEIS MISTÉRIOS DA VIDA E DOS AFETOS

Hoje de manhã recebi uma chamada a cobrar ao meu celular 055 , que só uso  quando vou para a estância. Já estando em P. Alegre e não tendo o número cadastrado, estranhei mas atendi.
- sr. Ruy?  aqui é Fulana, não sei se o senhor se recorda de nós, eu sou a esposa do Fulano, de Santiago.
Sim, me recordei.
Cerca de dez anos atrás decidi  comprar uma casa em construção, só para investimento. Não é aquela maravilhosa que eu tinha , morei, mas já vendi.
Bueno, contratei o sr. Darci, vamos chama-lo assim, para terminar dita casa. era um pedreiro de mão cheia. Durante a construção eu ia lá e charlávamos muito, eu gostava de conversar com ele. Ele terminou a casa, lhe paguei, falamos mais umas vezes, até fui visita-lo quando ele ficou meio doente. Mas depois, nunca mais.
- pois é, seu Ruy, prosseguiu a senhora. Eu passei 90 dias com o Darci em Santa Maria e agora ele pediu para voltar para casa e os médicos disseram que tudo bem, que era melhor mesmo.
Mas olha só, seu Ruy, ele quer ver o senhor de novo... sabemos que o sr. é ocupado...
Pedi para ela encostar o celular no ouvido do Darci e lhe disse:
- guenta o repuxo, amigão, sexta-feira tô na tua casa para te abraçar.
Refleti muito antes de postar isso aqui, pois alguém que não me conheça pode pensar que é vaidade minha. Não é. Quero só deixar um testemunho: a gente não pode abandonar os amigos, nem os que nos querem bem, quando chamam por nós.
Sei que vou  me emocionar e vou chorar quando o ver. Ando cada vez mais emotivo.
Faz parte.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

DE MASSELAS ( marcelas) E CAVALOS

Maristela e Rudolf estão se afeiçoando cada vez mais aos cavalos. Mas é assim, cavalo é quase como cachorro. Ele precisa de carinho e gosta de saber quem é seu dono. Eu, por exemplo, antes de encilhar deixo o cavalo cheirar minha mão. Depois falo com ele, acaricio sua cabeça e seu lombo. Na hora de desmontar eu agradeço e depois o desencilho. Dou-lhe um meio banho, levo-o de volta ao potreiro, não sem antes dizer obrigado de novo.
E, como já disse em outra ocasião, só de a cavalo que se enxerga a trama quebrada e o terneiro manquitolando.
E Rudolf e Maristela estão muito animados com a nova fase da nossa administração. Claro, tinha lhes dado um ultimatum: ou me ajudavam mais ou..ou...
A parte ruim é que  Maristela me tomou o Poeta e Rudolf se adonou do Catanduva Nietsche pelo qual paguei uma fortuna.
Va bene. Eu ando no Marginal mesmo. Ou em outro dos 87 cavalos ou éguas domadas que temos .
Como não sou burro demais, é claro que antecipei a colheita da  massela para 5a. feira. Se esperasse para a sexta  os citadinos já teriam invadido  tudo e quando fosse  de manhã não haveria mais  nada. Depois que colhi minha quota, que façam bom proveito.
Quanto ao mais, domingo que vem tem feira de terneiros em Santiago. Estou levando dois lotes de terneiras filhas de tatuadas, 10 de angus e 10 de brangus. Não vou pedir muito barato não. Qualidade se defende. Se não tiver quem goste de  gado de ponta, levo de volta para casa.

domingo, 20 de abril de 2014

UN LINDO AMANECER








Ontem` vieram nos visitar, aqui na estância, um irmão e uma irmã de Maristela. Gente fina e maravilhosa. Passamos o dia de pescarias e, depois, à noite, uma  campeira galinhada. Fui deitar cedo, enquanto que  Maristela e seus irmãos punham as novidades em dia quase até o meio da madrugada.
Como sempre, levantei-me antes de o sol raiar. Sopra um ventito frio de nascente. E está tudo silente. Só algum quero-quero  dá um sinalzinho isolado.
Meu pensamento  quis me levar à infância, para os domingos de Páscoa de Santa Cruz. Eram lindos!
Mas, sinceramente, prefiro esses de agora na Fazenda. Nesse isolamento maravillhoso, em contato íntimo com a Mãe e Deusa Natureza, sem alarmes nem ruídos, levando uma vidinha frugal e sem ostentações.
Por consenso de há muito deixamos de trocar presentes e promover comilanças. 
Um abraço forte a todos os meus leitores. 

sábado, 19 de abril de 2014

ESTOQUE VIVO É ASSIM - DE VEZ EM QUANDO MORRRE UM ANIMAL

Esses dias eu falava, numa de minhas posts, sobre o problema de o pecuarista ter estoque vivo. E é assim mesmo. Hoje saí cedo para uma ronda, muita neblina e nos chamou a atenção um terneiro chamando pela mãe, perto de um alambrado.  Logo em seguida divisamos sua jovem mãe morta. O que teria sido? Cobra, raio, mal súbito? Cobra não, pois de sua ventas não saiu sangue, nem há inchaço num lugar específico da picada. Raio não, pois ontem não houve tempestade. Vamos esperar nosso veterinário e fazer uma autópsia.
Na nossa região ocorrem muitas mortes por raio e por picada de  serpentes. É do negócio, não há muito que fazer. Também há alguns - poucos agora - criadores que se descuidam no inverno, não cuidam do estado nutricional de seu gado, e no rigor das invernias têm perdas.
No caso que ora narro, o terneiro já está crescidinho, vai para a pastagem  e vai se criar. Qual o prejuízo que tive com esse óbito? No mínimo uns 2 mil reais. Ainda está na  quota.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

SEXTA FEIRA SANTA E DONA MARISTELA NA LIDA

Vou explicar que por estas bandas a Sexta-feira santa funciona assim: o que se pode fazer? Nada. Só respirar, mas não muito. Não se pode rir, nem escutar rádio, nem gritar, nem comer carne, nem leite, nem andar a cavalo. Lidas de namoro, nem pensar, nem com a esposa. Então é melhor liberar a peonada para que não se escandalizem com meus hábitos de não deixar de comer carne jamais. Mas coloquei dona Maristela na lida e só fiquei observando.
 





quinta-feira, 17 de abril de 2014

AS MINHAS VÁRIAS DESPEDIDAS DO FUTEBOL



A primeira vez que decidi abandonar as chuteiras foi aos 40 anos. Num jogo de futebol lá na Associação do MP, quis porque quis surrar o Saulo Brum Leal, meu querido colega. Precisaram chamar o Choque para me conter , tão brabo eu   estava.
Dei todo meu material para o marido da minha empregada.
Um mês depois estava de volta.
Depois, aos 45 ,me lesionei gravemente e  pendurei as chuteiras. De novo me desfiz de todo meu material e fiquei só no tênis.
Eu estava quietinho no meu canto quando surgiu o Rudolf que, aos 3 anos de idade, começou a me incomodar querendo  bater bola, Nunca vou esquecer ele com a bola debaixo do braço-
-pai, joga bola comigo!
Parei de tomar cerveja, emagreci, fiz musculação e voltei a jogar só de brinquedo.
O guri foi crescendo e vi que , na estância, a peonada era louca pelo futebol. Fiz um campinho de futebol sete, com goleiras de metal, redes, telas etc, Comprei  fardamentos e chuteiras e ensinei os fundamentos básicos ao pessoal.
E voltei a pleno ao futebol.
Hoje fiz mais uma de minhas despedidas, joguei 45 minutos, meu time ganhou.
O maldoso do Luiz César, meu capataz não quis aceitar minhas  chuteiras de presente
- o sr.  só vai para de jogar no dia em que morrer.
A conferir.

FLAGRANTES DO DIA A DIA NUMA ESTÂNCIA DE CAMPANHA









quarta-feira, 16 de abril de 2014

MOMENTOS SUBLIMES DE CULTURA E FÉ EM UNISTALDA

Hoje tive a alegria de comparecer a Unistalda, por convite dos professores e professoras dos colégios daquele  município. Saí deP. Alegre de madrugada e cheguei  com folga. Assim que cheguei fui recepcionado pelas diretoras dos colégios, pelo prefeito dr. Ribeiro e pelo vereador Ci, por mães e pais e pela criançada que  adora a Pecuária Gessinger.Muito me emocionei com as diversas estações da Via Sacra , com a representação da crucificação e dos flagelos. Depois fui chamado a dizer algumas palavras. Incrível o silêncio da criançada. Em seguida entoei a música UNISTALDA TERRA BUENA, letra e música de minha autoria e que todas as crianças sabem de cor e salteado. Tive a alegria de estar acompanhado pelo meu sócio e filho Rudolf Gessinger.







segunda-feira, 14 de abril de 2014

EDUARDO CAMPOS E MARINA SE ACERTAM


Pois é, apesar de ser um humilde advogado , pecuarista, tenista  e violinista, me convidaram para ir ao Hotel Nacional em Brasília para o anúncio da dobradinha para  as próximas eleições presidenciais.
Não sou filiado a partido algum, não firmei minha preferência, mesmo porque  nem começou o debate, tudo só vai estourar depois da Copa.
Claro que não fui, como é que iria me meter se nem jornalista sou.
Mas me lembro que, quando me encontrei com Eduardo Campos na Expointer, lhe perguntei como ia fazer, já que era pouco conhecido pela massa.
Respondeu-me ele:  a TV resolve tudo.
A ver.
Hoje ví a presidente ( pô vamos parar com esse absurdo de presidentA) e a sra. Foster, falarem sobre a Petrobrás.
É visível a tensão de ambas.
Menos mal que a sra. Dilma disse que  podem meter bala, que os culpados sejam punidos.
A ver.

PECUÁRIA GESSINGER COLOCARÁ SUA GENÉTICA NA FEIRA DE SANTIAGO DIA 27 DE ABRIL



Uma vez que vendemos todos os terneiros machos castrados, não podemos deixar de prestigiar o Guarany Remates, muito menos o glorioso Sindicato Rural de Santiago, onde temos tantos valorosos amigos.
Decidimos, então , levar dois lotes de terneiras, filhas de  fêmeas tatuadas. Um lote de dez terneiras  Angus e um de dez Brangus.
São fêmeas que podem iniciar um criatório de boas matrizes e excelentes reprodutores.
Claro que elas não podem ser vistas sob a ótica do abate ou de seu peso.
É que aportam um banco importante de genética.
( foto de machos e fêmeas soltos na pastagem)

PECUÁRIA - UMA AULA DO PECUARISTA E DOUTOR EM VETERINÁRIA IVAN SAUL


Ruy e meus estimados Confrades.

 

Devo, há dias, uma manifestação correspondente às aulas de 'pecuária para leigos' e a venda de terneiros. Acontece que, tendo saído pruma consultoria/orientação em ovinocultura, me vi 'comprado' em bovinos [sabem aqueles negócios impossíveis de refugar?!] dos quais tive que me desvencilhar, por absoluta falta de espaço.

 

Percebo necessário frisar, sobre os comentários do colega Ruy, que os ativos, imóveis e semoventes, necessários ao exercício da atividade pecuária, se configuram enormes em relação à sua característica baixa taxa de retorno. Grandes ou pequenos, padecemos deste mal, pois aqui as regras de 'economia de escala' não se aplicam com muita propriedade a não ser em pecuária leiteira, a qual vende uma commodity que requer processamento e armazenamento mínimos.

 

Outro problema econômico das atividades de ciclo longo, está relacionado ao capital de giro. Entradas anuais de capital, mediante custos e gastos mensais [pois os fornecedores de insumos pecuários pressupõe o recebimento mensal das faturas emitidas no pinga-pinga diário]. 

 

Economizar dinheiro durante o ano pra saldar dívidas do cotidiano, é participar ativamente da ciranda financeira, é enfrentar a inflação/desvalorização buscando investimentos de curto prazo com remuneração atraente.

 

Antigamente, quando a lã era uma commodity valorizada, que 'pagava os custos da estância', existiam as cooperativas de lãs que operavam as contas em base anual. Seja pela substituição da lã pelos tecidos sintéticos, desvalorizando-a, seja pelo negligente ou incompetente gerenciamento financeiro - cooperativas costumavam ser administradas por seus associados, sem auxílio profissional e capacitado - tais instituições quebraram após sucessivas chamadas de capital. A Assembléia Geral é soberana e manipulável e, como em todas as atividades humanas, as maiorias costumam ser burras [tanto quanto as unanimidades].

 

Bueno, por tudo isso e mais alguma coisa, quando o pecuarista descobre as maravilhas do mercado financeiro, capazes de prover-lhe a subsistência familiar com folga, diante do mesmo investimento, com menor esforço e envolvimento pessoal. Percebe que o Estado conspira em desfavor da plebe que, ao contrário do que se pensa, não precisa comer [não com qualidade, pelo menos]. Se dá conta, que a redução do rebanho reduz custos e propicia maior lucratividade através de arrendamentos para lavouras. Dinheiro fácil que retroalimenta a 'ciranda financeira' especulativa, de onde - salvo por extremo gosto pessoal - não aconselho que saiam aqueles profissionais liberais citados pelo Ruy em seu artigo.

 

Enfim, se a terra, bem máximo à que aspiram todos os mortais [ao menos, os gaúchos que são mais iluminados] está preservada; se as responsabilidades sociais que nos ensinaram perdem importância, ao dispensar funcionários e produzir soja para a China [que retorna, em viagem sem sentido, na forma de feijão preto para misturar ao arroz dos pobres]; se já não é possível extrair prazer - necessário, componente da equação - na conta custo benefício da atividade rural produtiva...

 

Cerveja em São Lourenço do Sul começa a ser convidativa... Champagne en Ibiza?! Quando é o próximo voo? 

 

Abraços emigrantes do Ivan Saul.

domingo, 13 de abril de 2014

OBRIGADO, ABEL !

PECUÁRIA PARA LEIGOS 2

Me sinto meio constrangido, pois  não quero ser como alguns poucos jornalistas que querem posar de  doutores em Engenharia, Direito, Medicina e coisa e tal. Só que nunca levantam a  bunda do estúdio e não convivem com a praxis.
Mas  os mails se avolumam e querem saber de mim:
- ok, tu vendes os  terneiros machos, mas e as terneiras?
Explico que a região de Santiago, Itaqui, descendo para Uruguaiana e Quaraí é useira e  vezeira em secas, geadas e medra o famigerado mio mio ( ver o que  é mio mio no Google que estou sem saco para explicar agora).  Mas o animal que não conhece mio mio é problema, pois se comer a erva está morto e sepultado. O melhor, portanto, é ficar com as fêmeas.
Sim, essas eu recrio e vão ser as minhas matrizes.
Se a terneira  chegar a novilha e falhar na prenhez e for muito boa, dou-lhe mais uma chance. Mas vaca que falhou eu descarto e, a exemplo dos terneiros, eu mesmo não as " termino". Vendo-as magras mesmo para os invernadores.
Muita coisa está escrita  nos livros sobre desmamar cedo ou precocemente. Nem sempre isso funciona na prática, dado o alto preço da ração.
De outro lado o fenômeno de profisionais liberais se apaixonarem pela Pecuária é comum.
Mas a lida é  bruta e, comparativamente com a lavoura, o resultado financeiro não é essas coisas, conquanto não se esteja tão sujeito às intempéries.E nem falo no setor de serviços que quase não precisa de estoques e insumos.

Mas o pecuarista está na contramão de muitas coisas:  temos estoque ( coisa que ninguém tem mais) e o pior: estoque vivo. Um raio te mata vinte  cabeças num zás. O  gado  que ontem de noite estava gordo, amanhã perde peso por  uma simples semana de chuvisqueiro.
Eu tenho certeza que, com a ajuda de minha turma de trabalhadores, tirei leite de pedra.
O problema é  a tentação de deixar o leite  para lá e  cambiar para a champagne sob o sol de Ibiza ...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

PECUÁRIA PARA LEIGOS




Perguntam-me , de todos os quadrantes, por que vender terneiros e não os  recriar e engordar mesmo?
Explico que estou só 20 anos no  pedaço e não tenho os séculos de experiência campeira acumulada.
Mas sou  bisneto, neto e filho de comerciantes e isso tem  um valor.
Eu vendo os terneiros pela  simples razão de que a GM de Gravataí não fabrica pneus, nem espelhos, nem bancos, nem baterias.
Vendo os terneiros por que até eles terem seis a 9 meses de idade, não me apresentam muitos custos, pois ainda estão mamando. No momento em que eu tenho que desmamar, pois a mãe já está  prenha e tem que estar em bom estado nutricional, vou ter que  largar esse terneiro em ótima pastagem e/ou suplementar a alimentação.,
Como  no inverno  não tenho pastagens para todo mundo, é melhor eu vender os  terneiros para outros criadores  que tenham bóia sobrando. Eles , os compradores, daí em diante, serão muito mais competentes do  que eu. Desenvolverão esse terneiro e o engordarão, já boi, com muito mais  velocidade e qualidade.
E as fêmeas estarão livres para passarem o inverno numa boa, até parirem no início do verão.
Ok? agora vamos para o recreio.